Acho que ainda me falta um pouco de maturidade literária pra encarar Saramago. É o segundo livro dele que leio e ficam uma série de questões e conflitos durante o livro e na tentativa de entender o fim. (Vou explicar sem spoiler!)

Eu já tinha visto o filme (“incrivelmente”, desta vez, gostei um pouco mais do filme!), então já sabia que o que me esperava era denso, brutal e profundo, mas algo me apavorou ao longo do livro: A falta de nome dos personagens, a falta de parágrafos e recursos como aspas.

Eu acredito que isso contribuiu para que a leitura fosse complicada, arrastada e levou tempo pra tomar o ritmo (se é que entrei no ritmo, né?!)

O incrível na obra do Saramago (nas duas que li até agora, pelo menos) é a capacidade que ele tem de expor os piores sentimentos humanos. E refletindo sobre a situação que ele coloca.. será que seríamos muito diferentes daqueles personagens?

A história conta sobre “A Epidemia da Cegueira”, o passo a passo de como se alastra por toda uma cidade, o caos, o isolamento, as medidas governamentais e o completo abandono dos doentes. Não é esclarecida a origem da cegueira que os acomete, não há explicação pela ciência ou fé tornando o livro num final reflexivo estilo “Auto Ajuda”, mas nos leva a refletir sobre caráter, bondade, soberba, egoísmo.. o quão repugnante alguém pode ser, e em qualquer situação, a infinita busca pelo poder, a premissa de tirar vantagem. Enfim, a inevitável e real face do ser humano.

Selvageria, egoísmo e barbaridade. Talvez essas três palavras resumam os sentimentos e substantivos à flor da pele neste livro.

O filme inspirado na obra, lançado por Fernando Meirelles, foi lançado em 2008. O livro que teve sua primeira publicação em 1995 e levou o autor a receber o prêmio Nobel de Literatura em 1998.

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Ano: 1995 / Páginas: 312
Idioma: português
Editora: Companhia das Letras

Nota: 6